24 de junho de 2016

Comunicado: Foi bom enquanto durou!


 Há quatro anos decidi iniciar as atividades do Cantina do Livro com um único propósito: expor para pessoas minha opinião sobre uma das maiores paixões que tenho, que é a leitura. Desde então, o blog foi ganhando personalidade e, não só expositor de opiniões ele passou a ser também uma vitrine para novos autores e editoras. 

 Foi um trabalho árduo até aqui e que, para mim, alcancei objetivos que não imaginava alcançar. Porém, tudo precisa de um ponto final (ou de continuação, talvez). É por isso que hoje venho anunciar a paralisação das postagens do blog Cantina do Livro. 

 Quais motivos levam a isso? O primeiro e o mais essencial de todos: A desmotivação para continuar. O segundo é o forte bloqueio criativo de ideias, que me colocou em uma 'zona de conforto' de postagens que me incomoda há alguns meses. O terceiro fato é o tempo, cada dia mais reduzido. O quarto e último fator são os objetivos pessoais renovados e, por isso, alguns sacrifícios precisarão ser feitos. Todos esses fatores aliados tornam a decisão inevitável. 

 Não é uma decisão fácil e também pode não ser definitiva, mas o momento de hiatus do blog é necessário. Também não será uma despedida definitiva, já que o blog permanecerá no ar (mas sem novas postagens) e seguirei mantendo as atividades nas redes sociais com o facebook e o instagram. 

 Agradeço a todos que fizeram parte (direta ou indiretamente) do CdL, especialmente a (lá vem a lista!): Francielle Couto do Universo Literário, Amanda e Thaís Leocádio do Ratas de Biblioteca e Mayara do ex-Recordando Palavras, pessoas e blogs que serviram de inspiração para iniciar as atividades do Cantina do Livro; Editoras Guarda-Chuva, Melhoramentos, Grupo Novo Conceito, Boitempo, Única, Gente, Generale/Évora, Grupo Pensamento e principalmente ao Grupo Editorial Record, que colocou o blog em outro patamar; e claro, a vocês que dedicaram alguma parte do seu a visitar esse espaço. 

Por isso tudo, não deixo um adeus mas sim um ATÉ MAIS!

12 de junho de 2016

Resenha: Os Pequenos Homens Livres

Título Original: The Wee Free Men
Série: Tiffany Dolorida, vol 1
Autor: Terry Pratchett
Editora: Bertrand Brasil*
ISBN: 978-85-286-2055-9
Ano: 2016
Páginas: 304
Avaliação: ★★★
Sinopse: Um perigo oculto, saído de pesadelos, vem trazendo uma ameaça diretamente do outro lado da realidade. Armada com tão somente uma frigideira e seu bom senso, a pequena futura bruxa Tiffany Dolorida deve defender seu lar contra fadas brutais, cavaleiros sem cabeça, cães sobrenaturais e a própria Rainha das Fadas, monarca absoluta de um mundo em que realidade e pesadelo se entrelaçam. Felizmente, ela contará com uma ajuda inesperada: os Nac Mac Feegle da região, também conhecidos como os Pequenos Homens Livres, um clã de homenzinhos azuis ferozes, ladrões de ovelhas, portadores de espadas e donos de uma altura de mais ou menos quinze centímetros. Conseguirão eles salvar as terras quentes e verdejantes de Tiffany?

Terry Pratchett é um dos maiores escritores de fantasia do século, responsável pelo universo Discworld, um mundo plano repleto de magia e sustentado pelos ombros de quatro elefantes gigantescos, que, por sua vez, estão sobre o casco de uma enorme tartaruga. Nessa sua nova série baseada nesse mundo (mas sem relação direta com a série "oficial") nada normal que ele criou, conhecemos e nos aventuramos ao lado de Tiffany Dolorida, a heroína dessa nova história. 

A aventura começa já nos mostrando uma dose sonora de fantasia: Tiffany enfrenta um misterioso monstro, com olhos que aparentam pratos de sopa, com sua arma letal: uma frigideira. Ainda nesse impeto ficcional, seu irmão é sequestrado pela Rainha das Fadas e, a partir disso, sua jornada se desenrola, principalmente quando os Nac Mac Feegle (carinhosamente conhecidos como os Pequenos Homens Livres) entram em cena.

“As pessoas costumam dizer coisas como 'Ouça o seu coração, mas as bruxas também aprendem a ouvir outras partes do corpo. É impressionante o que os rins podem nos contar.”
Página 6

Depois dessa varredura superficial sobre o enredo, fica o veredito: a história infelizmente foi decepcionante. Apesar do enredo vez ou outra ser engraçado, principalmente no que diz respeito aos  Nac Mac Feegle) e atrair, num contexto geral a obra se perder numa narrativa lenta e que aparenta, muitas vezes, estar sem rumo. Da a sensação de que falta algo ali, que você não consegue identificar mesmo depois de terminada a leitura. 

Ainda assim, Os Pequenos Homens Livres tem características fortes de outros livros da série, como os nomes completamente loucos, Rob Qualquerum, Jock-não-tão-grande-quanto-o-Jock-Médio-mas-maior-que-o-Pequeno-Jock e a própria Tiffany Dolorida.

Os Pequenos Homens Livres foi uma leitura que deixou a desejar, ainda que consiga manter traços fortes do autor, como a ironia e a sátira excessiva. Faltou a boa e velha "pegada" na estória para que ela pudesse se desenrolar com mais facilidade.

Talvez para os fãs do Terry Pratchett essa seja mais uma história fenomenal do universo Discworld, mas para mim não foi uma leitura produtiva e que me envolveu tão quanto eu esperava. 2,5 estrelas. 


*Parceria: Grupo Editorial Record, Selo Bertrand Brasil

9 de junho de 2016

Principais lançamento da Editora Gente e Única: 1º Semestre


Depois de firmada a parceria blog/editora, está na hora de mostrar para os leitores do Cantina do Livro um pouco do catalogo da Editora Gente e Editora Única, dando enfase aos mais recentes lançamentos delas. Por isso, resolvi separar alguns livros que se destacaram (no meu ponto de vista) no primeiro semestre da editora. Confiram: 

3 de junho de 2016

Resenha: Outro Conto Sombrio Dos Grimm

Título Original: In a Glass Grimmly
Autor: Adam Gidwitz
Editora: Galera Júnior
ISBN: 978-85-01-10686-5
Ano: 2016
Páginas: 352
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Depois de revisitar a história de João e Maria, mostrando o conto original dos irmãos Grimm, o autor mais uma vez usa a escrita original dos autores para mostrar a verdadeira aventura de João e o Pé de Feijão. Juntem-se a este conto de fadas pra lá de diferente e acompanhem João e Jill pelas histórias dos Irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e de outras figurinhas do universo do faz de conta. E se preparem para descobrir paisagens incríveis, que podem ou não! ser assustadoras, sangrentas, aterrorizantes e cheias de surpresas.


 Que tal revisitar alguns dos principais contos dos icônicos Irmãos Grimm e de outros mestres do literatura fantástica de uma forma completamente diferente e única? Essa é a proposta do "segundo" livro de Adam Gidwitz publicado pela Galera Júnior, depois da boa aceitação de "Um Conto Sombrio dos Grimm".

 Nessa obra temos em mãos uma nova forma de ler João e o Pé de Feijão, A Princesa e o Sapo, O Poço dos Desejos, e outros. Mas o que torna o livro único é a forma que as histórias são contadas. Primeiro porque ele foge totalmente do habitual e do tradicional, apelando bastante pro lado bom humorado, irônico e "sangrento".

"Na verdade, se vocês são o tipo de pessoa que não gosta de ler sobre sofrimento, derramamento de sangue e lágrimas, porque não fingem que o dia acabou ali e fecham o livro agora mesmo? Por outro lado, se vocês são o tipo de pessoa que gosta de sofrimento, derramamento de sangue e lágrimas... posso perguntar educadamente? O que há de errado com vocês?"
Página 84

 Diferentemente do que se parece, a obra não é voltada exatamente e exclusivamente para o público infantil, mas sim se impõe e sobrepõe para um publico geral, já que dificilmente não agradará.

 Alguns dos "contos" se destacam mais que outros, isso é inevitável. O estilo que as histórias são narradas também são peculiares: O autor nos situa sobre os personagens/cenários, divaga sobre cada um deles, nos apresenta a história e, por fim, nos trás a surpresa derradeira de um final bem diferente.

"Seu lar é onde você pode ser você mesmo."
Página 317

 Outro Conto Sombrio Dos Grimm foi uma grata surpresa. Não é um livro infantilizado demais nem adulto demais, sabe dosar o bom humor com a ironia, cativa o leitor por seu estilo e que possui uma estrutura sensacional feita pela Galera. Super indicado!



*Parceria: Grupo Editorial Record, selo Galera Júnior

27 de maio de 2016

Resenha: Wolf In White Van

Título Original: Wolf In White Van
Autor: John Darnielle
Editora: Record*
ISBN: 978-85-01-10466-3
Ano: 2016
Páginas: 224
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Bem-vindo a Forte Itália, um jogo de estratégia e sobrevivência. A primeira rodada já vai começar. Depois de sofrer uma lesão que desfigurou seu rosto, Sean Phillips passa a criar jogos em que desconhecidos podem viver aventuras maravilhosas e trágicas. Sua primeira criação é Forte Itália, um RPG no qual ele envia uma cena por correio, e o jogador responde com uma ação. Bem simples. Mas o próprio Forte Itália, o objetivo final do jogo, com suas paredes labirínticas e sua promessa de estabilidade e segurança em meio a um Estados Unidos pós-apocalíptico, é inalcançável. Há apenas duas possibilidades: ou você continua em movimento, ou morre.

 Sean Phillips sempre foi uma pessoa reservada, quieta e, acima de tudo, sonhador. Não desse que viajam e esquecem de fixar os pés no chão, mas sim desses que busca sentido e significado para tudo e todas as coisas. Sua modesta vida ganhou ainda mais tons escuros quando um "acidente de percurso" quase o matou. A sequela daquilo foi uma lesão em seu rosto que tornou-o alvo de olhares curiosos desde então.

"As pessoas têm ideias e teorias sobre como lidar com ferimentos catastráficos, mas elas quase sempre são baseadas em questões práticas. Elas estão certas em pensar que os aspectos práticos - como você vai viver? o que você vai fazer? - são importantes, mas não são o principal. O principal é o que acontece com a sua percepção, como você muda depois de ter visto certas coisas."
Página 27

 É graças a essa solidão em que ele aparenta estar emergindo que surge a ideia do RPG (Role-playing game) Forte Itália. Se o jogo é uma vastidão de mistérios, sua essência é simples: Os jogadores participam do jogo enviando cartas a Sean ditando uma ação, enquanto Sean responde com uma consequência daquela ação. Típico de um RPG para quem conhece o funcionamento desses tipos de jogos. Porém quando dois jovens perdem a noção do real e abstrato a vida e o magnifico jogo de Sean se voltam contra ele. 

 Wolf in White Van é complexo e não é uma leitura tão direta quanto se imagina. A leitura não acontece em ordem cronológica, o que nos obriga a divagar com o personagem entre passado e presente.

 E por falar em personagem, o protagonista Sean é o reflexo exato da história. É o tipo de personagem que você percebe que feito exatamente para aquele enredo e o enredo para ele, tornando os demais meros figurantes, sem perder a importância, claro.

 Estruturalmente a minha expectativa era que o livro se aproximasse mais de "Jogador Numero 1" (em termos de história), já que a premissa me induziu a isso. O final é um tanto surpreendente e curioso, o que faz jus a tudo que o livro propôs.

 Não consigo definir exatamente o que me atraiu pelo livro pra afirmar que gostei, mas é uma história que se diferencia pela originalidade e naturalidade que ela se desenvolve. Não é um enredo de altos e baixos, entretanto também não tem momentos de "temperatura máxima" e muito menos de marasmo. Possui uma dosagem certa de drama e ficção e, talvez por isso, tenha caído no meu gosto. Fica a dica de leitura.


*Parceria: Grupo Editorial Record, Selo Record

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